Alina Bellardi
- Meu namorado está em uma reunião importante - repeti para mais um dos convidados, sustentando um sorriso que começava a doer.
As desculpas já se confundiam na minha cabeça. Reunião importante, viagem de última hora, compromisso inadiável... Ele chegaria a Portofino nos próximos dias. A cada nova pergunta, eu acrescentava um detalhe e tornava a mentira mais difícil de controlar.
Nunca soubera mentir bem. Antonela perceberia em poucos segundos se não estivesse feliz demais com o casamento para prestar atenção em mim. Por sorte, minha melhor amiga estava cercada por convidados, flores, fotógrafos e uma equipe inteira dedicada a registrar cada instante dos quinze dias de celebração.
Minha invenção passava despercebida, pelo menos por enquanto, e eu só precisava impedir que sentissem pena de mim. Meses antes, era eu quem estava noiva. Agora, Lorenzo, meu ex noivo, aparecia no casamento de nossos amigos exibindo outra mulher ao lado, como se a rapidez com que havia me substituído fosse uma conquista digna de admiração.
- Alina, querida...
A voz atravessou as conversas no terraço. A tia de Antonela acenava para mim com entusiasmo, enquanto seus olhos percorriam descaradamente o espaço ao meu redor, procurando o namorado misterioso de quem todos tinham ouvido falar.
O homem não estava ali pela razão bastante simples de não existir, mas explicar aquilo já não era uma opção. Acenei de volta e me virei depressa, tentando escapar antes que ela se aproximasse, porém meu movimento foi interrompido quando vi Lorenzo.
Ele acabava de entrar no terraço com a nova noiva presa ao braço. Alguns convidados se voltaram para os dois, atraídos pelo brilho do anel dela, pelo vestido impecável ou pela habilidade natural de Lorenzo para transformar qualquer chegada em uma apresentação.
Seus olhos me encontraram no meio da multidão, e o sorriso surgiu devagar em seu rosto, fazendo meu estômago se contrair.
Eu conhecia aquele sorriso. Era a expressão que usava quando sabia ter alguma vantagem sobre mim e, naquele momento, ele provavelmente já procurava o homem de quem eu havia falado. O namorado que deveria estar ao meu lado e provar que eu não continuava sozinha, abandonada e incapaz de seguir em frente.
Mudei de direção antes que Lorenzo pudesse se aproximar e entrei no bar do hotel sem olhar para trás, com o coração acelerado, toda a humilhação vivida no último mês voltando em forma violenta em meu peito, tudo o que eu desejava era que o namorado imaginário existisse, que os olhares de pena e os de superioridade sumissem.
O ambiente do bar estava quase vazio. Um bartender organizava as garrafas atrás do balcão, enquanto um homem ocupava sozinho um dos bancos altos. Analisei-o em poucos segundos: terno escuro perfeitamente ajustado ao corpo, ombros largos, um copo de uísque em uma das mãos e o celular na outra.
Nenhuma aliança.
Era o suficiente, ou o mais próximo de suficiente que o desespero poderia me oferecer.
Ele ergueu os olhos quando me aproximei e, por um instante, quase desisti. Não deveria existir um homem tão bonito sentado sozinho em um bar, sobretudo quando uma mulher desesperada precisava tomar decisões ruins.
Seu rosto era firme, masculino, marcado por traços precisos e uma boca que parecia indecentemente consciente do próprio efeito. Os olhos azuis lembravam o mar antes de uma tempestade, profundos, frios e atentos. Ele não demonstrou surpresa quando parei diante dele. Apenas inclinou levemente a cabeça, fazendo uma mecha do cabelo perfeitamente alinhado cair sobre sua testa.
- Com licença, preciso da sua ajuda... - comecei, odiando imediatamente a maneira patética como minha voz soou.
Pelo espelho atrás dele, vi Lorenzo entrar no bar. Não havia mais tempo para explicações, muito menos para reconsiderar a péssima ideia que me levara até ali.
Segurei o rosto do desconhecido e o beijei.
Durante um segundo, ele permaneceu imóvel, e o pânico explodiu dentro de mim. Eu havia cometido um erro absurdo, humilhante e possivelmente acompanhado de uma denúncia à polícia.
Então a mão dele se fechou em minha cintura, e tudo mudou.
Ele correspondeu sem hesitação, puxando-me para o espaço entre suas pernas. O beijo que eu começara como uma mentira perdeu qualquer traço de improviso no instante em que ele assumiu o controle. Sua boca se moveu sobre a minha com uma calma perigosa, prolongando o contato até torná-lo mais lento, quente e profundo do que eu precisava, muito mais do que eu esperava.
Seus braços me envolveram e trouxeram meu corpo contra o dele. Senti a firmeza escondida sob o terno, o calor de sua mão atravessando o tecido do meu vestido e o gosto de uísque em seus lábios. Tudo nele sugeria controle, experiência e o tipo de perigo que uma mulher sensata reconheceria antes de recuar.
Eu não fui sensata, na verdade, naquela situação sensatez era a última coisa que eu desejava sentir.
Meus dedos encontraram os cabelos de sua nuca enquanto ele inclinava meu rosto e aprofundava o beijo. Meu coração batia com tanta força que tive certeza de que ele podia sentir. Sua mão percorreu lentamente minhas costas e parou na curva da cintura, pressionando-me contra seu corpo como se eu tivesse ido até ali exatamente para aquilo.
Quando tentei recuperar algum espaço entre nós, seus dentes prenderam suavemente meu lábio inferior. Um som baixo escapou da minha garganta, e a vergonha me trouxe de volta à realidade.
Abri os olhos e o encontrei me observando de perto, senti o calor incendiar minhas bochechas. O azul de seus olhos parecia mais escuro, intenso demais, como se ele tivesse acabado de descobrir alguma coisa sobre mim que eu mesma preferia ignorar.
- Desculpe - murmurei, sentindo o rosto queimar, embora ainda não tivesse conseguido me afastar por completo. - Eu precisava...
Ele desviou o olhar por cima do meu ombro.
- Convencer aquele homem?
A pergunta me paralisou.
- Como sabe?
- Porque ele está olhando para mim como se quisesse arrancar minha mão de você.
A mão continuava firme em minha cintura, como se não tivesse a menor intenção de permitir que Lorenzo tentasse arrancá-la.
- É meu ex.
- Imaginei.
Seus olhos voltaram aos meus, e um traço de diversão rompeu a frieza de sua expressão.
- Mas ele ainda parece pouco convencido. Acho melhor continuarmos.
- O quê?
Não tive tempo de compreender. O desconhecido passou um braço por baixo das minhas pernas e me levantou com uma facilidade que arrancou meu fôlego, acomodando-me sobre seu colo antes que eu pudesse protestar.
O tecido do vestido subiu sobre minhas coxas, e o calor voltou em meu rosto quando percebi que aquele beijo não havia provocado apenas a mim. O corpo dele reagia sob o meu, firme e evidente apesar das camadas do terno caro. A descoberta espalhou um calor lento pelo meu ventre, tornando impossível fingir que aquilo ainda era apenas parte daquela louca encenação.
Tentei me afastar, mas sua mão subiu até minha nuca e ele voltou a me beijar. Desta vez, não houve surpresa, hesitação ou espaço para arrependimento. Sua boca tomou a minha com uma intensidade que fez minhas mãos se fecharem sobre seus ombros.
Eu deveria ter me lembrado de Lorenzo, da mentira e do fato de que não sabia sequer o nome do homem que me segurava, mas tudo desapareceu quando ele me trouxe ainda mais para perto.
O bar, os convidados, o casamento e a humilhação que me levara até ali deixaram de existir. Restaram apenas o gosto de uísque, a mão firme em minha cintura e a maneira alarmante como meu corpo respondia a um desconhecido.
Um pigarreio atrás de nós rompeu o momento. Logo depois, uma voz masculina e mais velha surgiu perto demais.
- Romeo, meu neto...
O homem que me beijava parou.
Afastei-me apenas o suficiente para respirar, ainda sentada em seu colo, com as mãos presas ao tecido caro do terno e os lábios ardendo. O desconhecido, ou melhor, Romeo, não pareceu constrangido. Muito pelo contrário, manteve os olhos nos meus e sorriu devagar, como se tivesse acabado de encontrar diversão em uma noite que prometia ser entediante.
Então aproximou a boca do meu ouvido em um sussurro.
- Agora é a sua vez de mentir.
Romeo Ferri
A mulher, não tão desconhecida assim para mim, me encarou com seus grandes olhos expressivos. Sorri porque, embora ainda não confiasse por completo naquela situação, ela havia escolhido a pessoa errada para provocar ciúmes no ex. Ou a pessoa certa, dependendo do ponto de vista.
No meu caso, aquilo me favorecia.
A mulher contratada para me acompanhar durante o evento não havia aparecido, e eu já estava irritado com a certeza de que minha família, mais uma vez, me encheria de perguntas e julgamentos.
A minha chegada sem acompanhante, serviria como mais uma prova de que eu não tinha estabilidade
suficiente para assumir também os negócios da Itália, justamente o argumento que alguns membros do conselho ainda insistiam em usar contra mim.
Agora, porém, eu tinha a mentira perfeita literalmente sentada em meu colo. Se soubesse conduzir aquela situação, teria uma boa chance de conseguir o que queria e manter tudo sob controle, como sempre fazia.
- Você nem sabe meu nome... - murmurou apenas para mim, sem imaginar que eu já a conhecia, ao menos pelos stories e pelas fotografias publicadas pela noiva do meu melhor amigo.
Circulávamos entre as mesmas pessoas, mas eu permanecia em Nova York durante boa parte do tempo e nunca permitia que publicassem fotografias minhas. Por esse motivo, nossos caminhos haviam se desencontrado até aquele momento. Alina, pelo visto, realmente não sabia quem eu era.
Se aquilo também fosse uma mentira, ela era convincente o bastante para trabalhar para mim.
- Vovô, papai, esta é Alina. Lamento não terem se conhecido antes, mas posso garantir que ela é uma doçura...
Apertei sua cintura enquanto falava, usando o mesmo tom tranquilo com que apresentaria uma mulher que estivesse ao meu lado havia meses. Quando nós viramos em direção aos patriarcas da minha família, senti o corpo dela enrijecer discretamente contra o meu.
- Prazer... - disse, oferecendo-lhes um sorriso desconcertado.
Ela ainda não parecia compreender exatamente o que estava acontecendo, mas não tentou fugir nem me desmentir, o que, ao menos naquele momento, era ótimo para mim.
- Não importa - respondeu meu avô. - Agora teremos tempo para conhecê-la melhor durante estes dias.
Aquela era uma ideia que eu deveria considerar com mais cuidado.
Meu pai e meu avô não estariam presentes durante os quinze dias de celebração do casamento, mas eu precisaria do apoio de Alina em outras ocasiões e poderia recompensá-la muito bem por isso. Ela, por sua vez, provavelmente gostaria de continuar me exibindo diante do ex-noivo.
Parecia simples ou, pelo menos, simples o bastante para funcionar.
- É um prazer conhecê-la. Sou Giancarlo Ferri, e este é meu filho, Marco Ferri - apresentou-se meu avô, estendendo a mão.
Alina retribuiu o gesto com um sorriso discreto.
- O prazer é meu. Sou Alina Almeida Bellardi.
Meu pai sorriu antes de estender a mão para ela.
- É um prazer finalmente conhecer a namorada do meu filho. Almeida não é um sobrenome italiano. Origens portuguesas?
Ele soltou a mão dela, mas continuou observando-a com interesse. Alisei discretamente o braço de Alina, encorajando-a a responder e deixando claro que não pretendia permitir que se afastasse naquele momento.
- Na verdade, brasileiras. Minha mãe era brasileira e meu pai, italiano...
- Giovanni Bellardi? Conhecemos o escritório de arquitetura dele e já trabalhamos juntos algumas vezes. Eu não sabia que era filha dele.
- Sou sobrinha. Ele é irmão do meu pai...
Algo mudou na voz dela. Foi uma alteração sutil, mas perceptível. Seu sorriso diminuiu, e os olhos, até então educadamente atentos, perderam parte da leveza.
Eu não sabia o motivo daquela reação, mas reconhecia quando alguém não queria continuar determinado assunto.
- Acho que, por hoje, já é o suficiente - intervim. - Lamento apresentá-la com tanta pressa, mas já tínhamos um passeio programado. Se nos derem licença...
Levantei-me, mantendo Alina diante de mim, e segurei sua mão sem esperar a resposta deles. Saímos enquanto ela ainda se despedia apressadamente da minha família e tentava acompanhar meus passos.
Quando atravessamos a multidão da recepção, foi impossível ignorar os olhares curiosos sobre nós. Algumas pessoas acompanharam nossa passagem de maneira pouco discreta, provavelmente tentando descobrir desde quando Romeo Ferri tinha uma namorada que ninguém conhecia.
Sem falar no ex dela.
Lorenzo não escondia o interesse pelo tipo de relacionamento que eu mantinha com a mulher que levava pela mão. Talvez houvesse algo além de curiosidade em seu olhar, e perceber isso não me desagradou.
Continuei caminhando até alcançar uma parte mais afastada do grande terraço, de frente para o mar. Ali, as conversas se transformavam em um ruído distante, enquanto as luzes de Portofino começavam a se refletir sobre a água.
Assim que ficamos longe o bastante dos olhares curiosos, Alina retirou a mão da minha.
- Como sabe meu nome?
Apoiei-me no parapeito e a observei.
- Você beija um desconhecido e só agora se preocupa porque ele sabe seu nome?
Ela estreitou os olhos diante do meu sorriso.
- Pedi desculpas por isso, mas você também me usou.
- Discordo. Nós dois aproveitamos uma oportunidade e podemos continuar aproveitando.
- O quê?
A confusão voltou imediatamente ao rosto dela, tornando evidente que eu precisaria explicar algo que, para mim, parecia bastante simples.
- Se ainda não descobriu quem sou, meu nome é Romeo Ferri. Posso pagar muito bem por sua discrição e pelo seu tempo durante estes dias. Preciso que sustente essa mentira diante da minha família e dos meus amigos. Diga quanto deseja e eu pagarei.
A culpa e o embaraço desapareceram do rosto dela, rapidamente substituídos por uma irritação que foi quase fascinante acompanhar. Seus olhos se estreitaram, as sobrancelhas se juntaram e os lábios que estiveram presos aos meus poucos minutos antes se comprimiram em uma linha indignada.
Alina ergueu a mão, e segurei seu pulso antes que ela conseguisse me atingir.
- Você está louco? Está mesmo me oferecendo dinheiro como se eu estivesse à venda?
- Não exagere. Estou oferecendo uma compensação pela sua ajuda e silêncio. Além disso, o que pretende fazer? Voltar para a festa e mostrar ao seu ex que ainda não o superou?
Suas bochechas coraram imediatamente. A mudança foi tão rápida que, por um momento, considerei a possibilidade de ter sido direto demais.
Mas não estava completamente errado.
Eu não havia planejado nada daquilo, porém seria útil para ambos se ela colaborasse. Eu precisava manter minha família satisfeita durante aqueles dias, enquanto Alina precisava sustentar a mentira que havia criado para não parecer abandonada diante do ex-noivo.
Não era um acordo complicado. Pelo menos, não deveria ser.
- Escute bem: agradeço a ajuda, mas estamos quites. Acabamos por aqui.
O lábio dela tremeu ao pronunciar as palavras, embora sua voz permanecesse firme.
Provavelmente eu havia sido prático e direto demais, mas ainda estava disposto a argumentar até chegarmos a um acordo quando ela se virou e começou a se afastar.
- Alina...
Ela interrompeu os passos e olhou para mim por cima do ombro.
- Quer saber, Romeo? Quero que você vá se foder. - Levantou o dedo do meio.
Alina não esperou minha reação. Apenas seguiu pelo caminho que levava de volta à festa, deixando-me sozinho diante do mar.
Dannazione. Eu havia estragado a oportunidade perfeita que o destino colocara em meu colo.
Alina Bellardi
Prepotente. Cretino. Era óbvio que um homem tão bonito teria que ter algum defeito. Idiotice minha ter me iludido por alguns minutos, acreditando que ele estava apenas sendo gentil ao me ajudar.
Agora minha situação estava ainda mais complicada. Eu havia sido vista beijando Romeo e depois caminhando com ele em plena festa, logo depois de dizer a todos que estava namorando e muito apaixonada. Apressei os passos, secando com os dedos a lágrima teimosa que começou a escorrer pela minha bochecha. Não queria chorar. Muito menos por Lorenzo. Talvez fosse apenas raiva, cansaço ou vergonha por ter transformado uma mentira pequena em uma confusão impossível de controlar.
Passos próximos me fizeram diminuir o ritmo. Quando olhei adiante, meu desespero aumentou. O clichê do ex parecia determinado a me perseguir naquela noite. Lorenzo e sua noiva acabavam de entrar no jardim. Dei meia-volta imediatamente e segui na direção contrária, apressando os passos em meio ao labirinto verde. Ao contornar um dos grandes arbustos que delimitavam o caminho, esbarrei em um corpo alto e musculoso, envolvido por um terno Armani feito sob medida e acompanhado por um rosto que eu havia memorizado bem demais em pouquíssimo tempo.
Romeo.
- Voltou rápido para os meus braços, querida... Sabia que não conseguiria ficar longe.
O sorriso arrogante e provocador dele se alargou. Segui a direção do olhar que ele lançou por cima da minha cabeça e percebi que, mais uma vez, ele havia entendido tudo rápido, sem precisar de explicação.
- Não precisa me ajudar desta vez... - resmunguei sabendo que meu ex me humilharia.
Romeo ignorou completamente minha tentativa de afastá-lo. Alisou meu rosto com uma das mãos e envolveu minha cintura com a outra, aproximando nossos corpos.
- Acho que já é tarde demais para nós dois desistirmos, querida.
Havia um brilho divertido em seus olhos, e eu fazia o possível para ignorar as batidas fortes no peito e o calor que começava a subir pelo meu corpo. Ele tinha acabado de me irritar profundamente. Isso deveria ser suficiente para anular qualquer outra reação. Não era.
- Olha quem está aqui. Pelo jeito, tiveram a mesma ideia que nós, querida.
A voz de Lorenzo já estava próxima o suficiente para eliminar qualquer possibilidade de eu simplesmente sair dali. Meu corpo ficou tenso. Romeo percebeu e, antes que eu abrisse a boca, se antecipou.
- Prefiro ficar sozinho com minha namorada sempre que tenho essa possibilidade. Afinal, fiz tudo para estar aqui ao lado dela.
Virei levemente o rosto para encará-lo. Minha namorada. Ele disse aquilo com tanta tranquilidade que, por alguns segundos, até eu quase acreditei.
- Achei que fosse amigo do noivo. Foi você quem desistiu de ser padrinho... - Lorenzo comentou enquanto eu me virava para encarar o casal.
A noiva dele sorria de um jeito que me incomodava mais do que eu gostaria de admitir. Desde que os dois haviam aparecido juntos, os comentários na empresa começaram. Alguns diziam que o relacionamento deles já existia antes mesmo do término do nosso noivado. Outros juravam ter visto os dois juntos quando Lorenzo ainda dividia comigo planos de casamento. Eu nunca quis confirmar. Saber com certeza talvez doesse mais do que suspeitar.
- Verdade. - Romeo manteve a mão em minha cintura. - Eu estava bastante ocupado e pretendia apenas enviar um presente. Mas, como acabei me apaixonando pela melhor amiga da noiva, seria idiotice minha deixá-la à mercê de outros homens admirando sua beleza. Então aqui estou.
Meu coração errou uma batida. Era mentira. Eu sabia. Romeo também sabia. Mesmo assim, ouvir aquelas palavras na voz dele provocou uma reação absurda no meu corpo.
Lorenzo desviou os olhos para mim antes de voltar a encarar Romeo.
- Lorenzo. Sou ex-noivo da Alina. Espero que isso não o deixe receoso... - sorriu estendendo a mão para cumprimentar Romeo.
O jeito convencido e inconveniente continuava exatamente o mesmo em meu ex.
Romeo, no entanto, não pareceu minimamente incomodado, estendeu a mão em um aperto rápido sem me deixar.
- Imagine. Não somos adolescentes. Somos adultos. Para um homem seguro de si, o passado da mulher que ama não afeta o futuro que ainda está por vir.
Ele sorriu com naturalidade e abaixou o rosto para beijar o alto da minha cabeça. O gesto foi simples, quase carinhoso, e me pegou desprevenida justamente porque vinha do mesmo homem que, minutos antes, tinha me oferecido dinheiro para fingir ser sua namorada. Eu sabia que era mentira. Sabia desde o início. Ainda assim, por alguns segundos, foi fácil esquecer.
- Fico feliz por você, Alina - Lorenzo disse, mantendo aquele sorriso que eu conhecia bem. - Foi tudo muito rápido, só isso.
Meu estômago se contraiu. Eu sabia exatamente o que havia por trás daquela frase. Rápido para mim, talvez. Não para ele, que poucos meses depois do fim do nosso noivado já surgia em Portofino com outra mulher ao lado e um anel brilhando no dedo dela.
Antes que eu respondesse, Romeo deslizou a mão da minha cintura até minhas costas e me aproximou um pouco mais. O movimento foi natural, sem pressa, como se já estivesse acostumado a me ter ali. Senti o calor do corpo dele através do vestido e fiquei imediatamente consciente da proximidade entre nós.
- Algumas coisas levam tempo demais - respondeu. - Outras simplesmente acontecem.
Virei o rosto para ele. Romeo me olhava com aquela tranquilidade irritante, como se toda a situação estivesse perfeitamente sob controle. A mão continuava apoiada nas minhas costas e, de vez em quando, ele passava o polegar devagar sobre o tecido do vestido, num gesto quase distraído. Aquilo me deixava ainda mais confusa, porque eu não sabia se fazia parte da encenação ou se ele simplesmente gostava de me provocar.
A noiva de Lorenzo apertou o braço dele e sorriu.
- Bom, não vamos atrapalhar vocês. Ainda teremos muitos dias para conversar.
- Com certeza - respondi.
Romeo apenas inclinou a cabeça em despedida.
Lorenzo demorou mais um pouco antes de se mover. Olhou primeiro para mim, depois para Romeo, e por fim acompanhou a noiva pelo caminho de volta ao terraço.
Esperei até que os dois desaparecessem atrás dos arbustos e então soltei o ar. Só então percebi que eu ainda estava praticamente colada ao corpo de Romeo.
Tentei me afastar.
- Pode me soltar agora.
- Posso - respondeu, mas a mão continuou firme nas minhas costas. - Só não quero.
Ergui os olhos para ele.
- Romeo...
Minha voz saiu num aviso fraco, aquela foi a primeira vez naquela noite em que o sorriso dele desapareceu por completo. Ele respirou fundo, soltou minha cintura e recuou meio passo.
- Me desculpe, sinto muito.
A mudança no tom me fez parar.