Violet
"O que a senhorita gostaria de pedir hoje, Violet?", a garçonete me perguntou com um sorriso educado.
Por quinze minutos, fiquei encarando Nate à minha frente, contando quantas vezes seu celular acendeu em vez de seus olhos encontrarem os meus.
O Alfa Nate era o Alfa da Matilha Uivo Noturno e o homem com quem eu me casaria em breve.
Esperei que ele encerrasse a ligação, que olhasse para mim.
Estávamos sentados no restaurante mais chique de Ashville e eu havia feito as reservas com semanas de antecedência em uma tentativa desesperada de reacender nosso relacionamento.
Eu havia me esforçado para me arrumar e cachear o cabelo, mas nada disso foi notado. A iluminação do restaurante fazia as lantejoulas do meu vestido brilharem levemente, e peguei meu reflexo no painel espelhado ao nosso lado.
Eu parecia... esperançosa, esperançosa demais...
"Vou esperar até ele estar livre", eu disse.
"Claro." A garçonete assentiu e se virou para atender aos outros clientes.
Brinquei com meu garfo enquanto olhava ao redor. A algumas mesas de distância de mim, um cara pediu a namorada em casamento em meio a uma explosão de aplausos. Desviei o olhar, piscando para conter o ardor nos meus olhos.
Meu olhar vagou distraidamente, examinando rostos, até que um movimento chamou minha atenção perto da cabine de canto.
A garçonete de antes estava conversando com um cliente.
Não, conversar era dizer o mínimo. Ela estava sorrindo de forma radiante, colocando o cabelo atrás da orelha como se tivesse esquecido de repente como as mãos funcionavam.
A voz dela era baixa, mas sua expressão dizia tudo. Ela estava nervosa e se esforçava muito para agir com naturalidade, mas não conseguia.
Curiosa, deixei meus olhos vagarem para o cliente com quem ela estava falando, um estranho sentado sozinho.
As bochechas dela ficaram rosadas e os olhos se arregalaram, seguidos por aquele tipo de risada que alguém dá quando não sabe mais o que fazer com toda a atenção de repente voltada para si.
O homem permanecia imóvel, relaxado em seu assento.
Sua postura não gritava arrogância, apenas uma confiança silenciosa, como alguém acostumado a ser observado... e que nunca precisava retribuir a energia.
O que quer que ele tivesse dito a seguir a fez congelar por um instante e então, na pressa para assentir e responder, o cotovelo dela esbarrou na bandeja.
O copo de água tombou.
"Ah. Oh meu Deus, desculpe!", ela arquejou e tentou pegá-lo, mas não conseguiu, e a água fria espirrou pela mesa, atingindo o paletó do homem.
Mortificada, ela procurou por lenços de papel, inclinando-se para frente para secar o peito dele, mas ele mesmo já havia feito isso.
O menor vislumbre de decepção cruzou o rosto dela, o que fez um leve sorriso puxar meus lábios.
Fofo, cativante... tudo o que a minha própria noite não era.
Então, infelizmente, ele olhou para cima.
Seu olhar colidiu com o meu, afiado e sem pressa. Ele não pareceu surpreso por me flagrar encarando.
E minha respiração parou por um momento enquanto a garçonete corria em direção à cozinha, com as bochechas queimando.
Nate escolheu esse exato momento para tirar os olhos do celular, seguiu minha linha de visão e enrijeceu. Seu maxilar ficou tenso, e ele murmurou baixinho, claramente acreditando que o estranho não podia ouvir.
"Você está olhando para ele? Logo ele? De todas as pessoas?" Nate zombou.
Sobressaltei-me levemente. "Eu... eu não estava."
Suas palavras foram leves, mas algo por baixo era inconfundivelmente... afiado. Ele estava sendo territorial.
E com ciúmes de um homem com quem eu nunca havia falado.
"Aquele filho da puta arrogante acha que o mundo lhe deve um pedido de desculpas apenas por existir. Uma garota doce como você não tem por que perguntar nada sobre ele."
Eu não havia perguntado nada, mas por um segundo ridículo, meu peito se aqueceu com as palavras "garota doce", mas no instante seguinte, minhas esperanças despencaram ao ver Nate se levantar do assento e gritar com uma voz eufórica.
"Estou esperando por você desde manhã!"
Nate correu em direção à entrada e abraçou a garota que acabara de entrar.
Ela era Nicole, a garota que ele idolatrava muito antes de eu aparecer.
Ela estava usando um vestido vermelho que deixava pouco para a imaginação, e Nate não perdeu um segundo: puxou-a para um abraço.
Não era à toa que ele esteve grudado no celular a manhã toda.
Ele a acompanhou até mim, sua mão descansando na base das costas dela, seu sorriso brilhante de um jeito que eu não via há meses, não direcionado a mim nem uma vez sequer.
"Violet, você se lembra da Nicole, certo? Ela acabou de voltar hoje. Não é incrível?"
Incrível não era a palavra que eu tinha em mente.
Assenti rigidamente. "Oi."
Nicole ofereceu o menor dos sorrisos e imediatamente voltou sua atenção para Nate, sua mão roçando o peito dele como se pertencesse àquele lugar.
Forcei-me a desviar o olhar de Nate e de seu pequeno reencontro perfeito com Nicole, mas a dor pesava no meu peito.
Ele continuava se inclinando para mais perto dela, rindo de algo que ela sussurrou, esquecendo completamente que eu existia.
"Quando você vai perceber que ele não é bom para nós? Dê um fora nele", minha loba, Rain, sussurrou na minha cabeça.
Ela era uma testemunha silenciosa da minha solidão e dor, mas ultimamente havia começado a expressar suas opiniões com bastante força.
Ela vinha me importunando para deixá-lo há séculos, mas meu coração não concordava em terminar um relacionamento tão facilmente.
Irritada, levantei-me do meu assento para dizer algo, mas de repente alguém gritou.
"Ataque de renegados!"
Ataque de renegados em plena luz do dia?
O caos irrompeu quando renegados invadiram pela entrada, virando mesas e arremessando funcionários inocentes que tentavam revidar.
Rosnados e gritos ecoaram pelo ar enquanto minha mão instintivamente procurava a de Nate, apenas para agarrar o ar vazio.
Porque ele já havia começado a fugir com Nicole em direção à porta mais próxima, protegendo-a com seu corpo. Ele nem sequer olhou para mim!
Fiquei paralisada, entorpecida pelo choque.
Algo passou voando por mim e ouvi uma voz profunda e autoritária: "Abaixe-se!"
Antes que eu pudesse reagir, fui empurrada para o lado e uma mesa de vidro se espatifou no exato local onde eu estava de pé.
Senti braços fortes e o cheiro de bourbon envolverem meu corpo enquanto eu era empurrada para trás de uma parede.
Olhei para o meu salvador, que afastou meu cabelo e verificou brevemente se havia ferimentos.
"Fique aqui!" O estranho tatuado falou com uma voz rica e aveludada, o mesmo homem que estivera saboreando sua bebida sozinho.
Quando consegui abrir a boca, ele já havia saído do meu esconderijo temporário e corrido direto para os agressores.
Coloquei as mãos nos ouvidos para abafar o barulho e fiquei atrás da parede, aterrorizada demais para me mover.
Enquanto isso, ele se lançou sobre o grupo, virando mesas para formar barreiras, golpeando com punhos e pés rápidos demais para meus olhos acompanharem.
Sangue espirrou por toda parte, misturando-se com as rosas vermelhas e pintando o chão de carmesim.
Em uma mistura de fascinação e horror, o vi avançar sobre o último renegado que tentou fugir e arrastá-lo de volta pelo colarinho como um vira-lata em uma coleira curta.
No meio de tudo isso, seus olhos voltaram para mim por um breve segundo e se arregalaram.
Eu queria agradecer a ele, mas minha garganta havia secado. Felizmente, sirenes começaram a soar do lado de fora, e paramédicos entraram correndo.
Vi ele parar uma das enfermeiras, apontar na minha direção, me dar um breve aceno com a cabeça e deixar o local com o renegado.
"Senhorita, você está sangrando", a enfermeira disse enquanto me ajudava gentilmente a sair do meu esconderijo.
"Graças a Deus você está bem", Nate suspirou de alívio enquanto vinha correndo na minha direção, com Nicole logo atrás dele.
"Você está machucada. "Vamos te levar ao hospital", Nate acrescentou com uma voz preocupada, seus olhos indo para o meu ombro esquerdo.
Três horas depois, enquanto eu estava sentada no hospital da matilha após o médico enfaixar meu braço, Nate perguntou: "Você está se sentindo melhor agora?"
Alegrei-me com essas palavras simples.
Foi o tom mais suave que ele usou comigo em meses, e o tempo mais longo que seu olhar se demorou em mim.
"Eu não estaria machucada para começar se você não tivesse escolhido sua amiga de infância em vez de mim." Não consegui me conter e afirmei o óbvio.
Mas ele apenas deu de ombros.
"Você foi treinada em combate desde a infância, lembra? Mas a Nicole? Ela não consegue nem machucar uma mosca."
Senti-me animada por ele ter me elogiado e também dado uma alfinetada em Nicole na mesma frase.
"E se o renegado tivesse me atacado?", perguntei em voz alta, esperando ouvir palavras mais reconfortantes dele.
Ele estava prestes a me responder quando seu celular vibrou, e vi o nome de quem ligava.
Nicole.
Oh deusa, por que ela de novo?
Ele atendeu imediatamente, e eu apurei os ouvidos para escutar a conversa deles.
"Quero discutir uma coisa, Nate. Por favor, você pode vir me encontrar?"
Pensei que Nate recusaria educadamente, mas ele já havia saído do hospital.
"Dói, não é?", Rain, minha loba, perguntou quando ouvimos o som inconfundível do motor do carro dele ganhando vida.
"Foi só um arranhão, Rain", respondi, mas nós duas sabíamos que não era a essa dor que ela estava se referindo.
Violet
A manhã chegou rápido demais.
A luz do sol se infiltrava pelas persianas enquanto eu tentava sentir uma presença familiar ao meu lado.
"Ele não voltou a noite toda." Rain respondeu à minha pergunta não dita.
Essas palavras doeram mais do que o curativo apertado no meu braço.
Ainda assim, forcei minhas pálpebras pesadas a se abrirem e olhei para o lado. A cadeira estava vazia, e o lado da cama estava frio.
O silêncio pesava sobre meu coração, me sufocando. Eu estava acostumada à solidão e ao silêncio, mas agora pareciam uma arma me cutucando, me esfaqueando onde mais doía.
A porta do quarto de hospital se abriu, e o médico entrou, sorrindo para mim.
"Fico feliz em ver que está acordada. Seus sinais vitais parecem bons. Apenas evite fazer qualquer esforço por alguns dias."
Balancei a cabeça e lentamente me ergui para sentar enquanto ele rabiscava em seu bloco de notas.
"O Alfa Nate passou por aqui?", perguntei ao médico com hesitação.
"Acredito que ele esteve em uma reunião atrás da outra o dia todo."
Claro, ele estava trabalhando, estava sempre trabalhando.
"Obrigada, doutor", eu disse com voz fraca enquanto ele trocava meu curativo.
Tentei não deixar aquela pontada familiar de mágoa transparecer no meu rosto novamente. Nem reuni coragem para perguntar se ele havia perguntado sobre mim ao médico.
Ele saiu logo depois, me deixando a sós com meus próprios pensamentos.
"O trabalho é mais importante que você, pelo que vejo", Rain disse rispidamente.
"Você sabe que ele tem uma matilha para liderar, Rain. Nossa matilha", insisti.
Ela apenas zombou. "Sim. Ele tem tempo para tudo, exceto para você. E você é cega demais para ver isso, o que me dá nojo. Então, a partir de hoje, Nate tem três chances no máximo. Se ele falhar nas três, o que sei que vai, vamos dar um pé na bunda dele."
"Passamos momentos maravilhosos juntos, Rain. Nosso amor merece mais do que três chances", retruquei em tom de desespero.
"Ele já gastou uma delas." Rain não estava convencida, mas me apeguei à esperança como se fosse meu último recurso.
Não querendo mais discutir com ela, decidi tomar um pouco de ar fresco e saí depois de receber alta.
Mal havia aproveitado um segundo da brisa fresca quando meu telefone vibrou novamente. Felizmente, era uma ligação da minha mãe.
"Ouvi falar do ataque no café hoje e lembrei de como você estava empolgada com o seu encontro. Como foi? Espero que você esteja feliz", ela perguntou, a voz carregada de preocupação.
Eu menti. "Estou... estou bem, mãe. Só tive alguns arranhões."
Mas ela notou como evitei completamente responder à sua pergunta.
"Estar bem não é o mesmo que estar feliz, Violet. Realmente me pergunto como minha garota inteligente se apaixonou por alguém tão estúpido."
"Mãe!", resmunguei, percebendo que ela ia me dar um sermão de novo.
"Nate não vale o seu tempo nem o seu amor. Várias pessoas o viram com uma garota qualquer e me informaram, mas eu queria ouvir de você. Seu silêncio provou que eu estava certa o tempo todo."
"Mãe, Nate não é assim...", comecei, mas ela me cortou bruscamente.
"Ainda levei bronca do seu pai por apoiar sua decisão de namorar aquele perdedor. Mas não posso mais ver minha filha desperdiçar a vida dela. Além disso, uma guerra está batendo à nossa porta."
"Por quê? O que está acontecendo?" Franzi a testa, sentindo uma pontada de culpa por estar tão absorta na minha própria vida que tinha me tornado completamente alheia às coisas que aconteciam em casa.
"É mais uma crise política, querida. Precisamos firmar uma aliança em breve e, embora eu não goste de dizer isso, o casamento é uma boa maneira de garanti-la."
"Você vai deixar o pai em uma crise dessas?", brinquei, apesar de saber muito bem que ela se referia a um casamento político entre mim e qualquer herdeiro alfa com quem eles quisessem uma aliança.
"Estou te enviando uma foto e os detalhes. Dê uma olhada em..." Ela começou, mas desliguei apressadamente quando vi alguém se aproximando de mim.
"Ei Violet, ouvi sobre o incidente no café e pensei em te fazer uma visita." Linda, uma das lobas de alto nível no círculo íntimo de Nate, sorriu para mim.
"Sim, estou bem. Obrigada pela sua preocupação", respondi, e ia me virar, mas a próxima pergunta dela me fez parar.
"Vocês dois pombinhos parecem não se cansar um do outro, não é?"
"Não tenho certeza se entendi", respondi, e ela olhou para mim com um olhar provocador.
"Dizem por aí que uma reestruturação séria está acontecendo no escritório. E o cargo de Diretor de Aquisições acabou de abrir. Pergunto-me quem poderia ser?"
Tentei não sorrir.
Eu atuava como chefe do departamento de aquisições há um tempo, mas nunca soube que Nate estava planejando me promover.
Já tínhamos fechado o projeto Esmeralda? Nate havia mencionado de passagem que abriria um cargo sênior logo após garantirmos a licitação.
Ele finalmente havia percebido seu erro e desejava se redimir comigo? A esperança cresceu no meu peito.
"Viu, ele está consertando as coisas", eu disse a Rain, que apenas murmurou: "Acho que vamos descobrir em breve."
No dia seguinte, enquanto eu estacionava meu carro e caminhava em direção ao escritório, vi pessoas olhando para mim, fofocando umas com as outras.
Aparentemente, a notícia sobre o novo cargo havia se espalhado.
"Ouvi dizer que haverá um anúncio de um novo Diretor em breve."
"Dominar o alfa tanto em casa quanto no escritório... o que mais se pode pedir?"
"Ela tem o alfa na palma da mão."
Sussurros abafados chegaram aos meus ouvidos, e lutei para conter o sorriso.
"Bom dia, senhorita Violet," minha assistente, Jenna, me cumprimentou enquanto eu entrava na minha sala.
Ela me chamaria de Luna logo depois que oficializássemos as coisas.
Sorri com esse pensamento enquanto Jenna me passava as reuniões de hoje e minha agenda para a semana.
"Você pode verificar quando Nate tem um horário livre?", perguntei, e ela rapidamente falou com a secretária dele.
Após uma breve conversa, me informou: "O Alfa Nate esvaziou a agenda para se encontrar com alguns potenciais novos clientes hoje."
"Novos clientes?" Levantei os olhos para ela.
Eu era a chefe de aquisições, então todos os novos clientes passavam por mim primeiro. Somente após a minha aprovação eles tinham a chance de conhecer Nate.
Seguíamos um protocolo rigoroso, então era estranho que novos clientes tivessem surgido sem o meu conhecimento. Talvez ele estivesse mantendo tudo em segredo para a grande revelação.
"Ela te disse quem eram?", perguntei, e Jenna balançou a cabeça.
"É alguma informação confidencial."
"Confidencial soa como mentira", Rain avisou.
"Talvez ele esteja planejando a promoção", eu disse a mim mesma em vez de responder a ela.
"Não, ele está planejando perder a segunda chance de manter você na vida dele." Rain parecia estar contando as chances.
Dei um breve aceno de cabeça para Jenna, mantive a calma e foquei no trabalho, apesar da insistência de Rain.
Uma hora depois, eu havia chegado à última página do arquivo.
O contrato estava pronto para ser assinado, faltando apenas a assinatura de Nate antes de ser enviado para a nossa equipe jurídica.
Eu poderia ter enviado Jenna, mas a curiosidade falou mais alto, então eu mesma me dirigi à sala dele.
A secretária dele não estava na mesa, mas Derek, seu beta, estava guardando a porta.
"Sinto muito, mas estou com ordens estritas do Alfa para não deixar ninguém entrar."
"Não sou qualquer pessoa", o lembrei, mas uma voz ecoou pelo corredor.
"Ei, estou aqui para ver o seu alfa como ele pediu."
Virei-me para ver Nicole dando um sorriso doce para Derek, e me ignorando completamente.
"Claro, ele estava te esperando", Derek respondeu e a deixou entrar prontamente.
Meu estômago revirou.
Quando ia segui-la, ele colocou a mão na minha frente e fechou a porta.
"Desculpe, ordens do alfa."
"Me deixe entrar! Tenho um contrato importante para discutir", expliquei, mas ele balançou a cabeça.
"Você terá que esperar até que o alfa esteja livre."
"Não vou", esbravejei e empurrei a porta antes que ele pudesse intervir.
E lá dentro, vi Nate olhando algo em seu laptop enquanto Nicole estava inclinada para perto, sua mão apoiada no ombro dele possessivamente.
"O que está acontecendo? Nate, por que você me evitou o dia todo?" Exigi.
Ele estava prestes a se levantar, mas então Nicole o empurrou de volta gentilmente e depois segurou o rosto dele.
"Relaxe. Não precisa ficar nervoso."
"Por que diabos você está deixando que ela te toque assim?" Perdi a calma.
Como se quisesse zombar de mim, Nicole deixou o braço no ombro dele e me olhou nos olhos.
"Relaxe, ele está sobrecarregado de trabalho, e estou ajudando ele a relaxar um pouco."
"Colocando suas mãos nele todo?", disparei de volta, e ela teve a audácia de parecer ofendida.
"Cuidado com o tom, Violet", Nate rosnou, e olhei para ele em choque.
"Eu te disse para relaxar, não disse? Você não precisa de mais estresse na sua vida."
Ela o tratava como se fosse a namorada dele, enquanto ele lançava olhares furiosos para mim.
"Olha, Violet, sei que exigir fidelidade do parceiro é uma linha tênue quando ele só trabalha o dia todo. Mas você tem que entender que ele está fazendo isso por você."
Pisquei em confusão.
"O que você quer dizer?"
Violet
"Sério, Violet. Até quando você vai se fazer de burra e ingênua?" Nate perguntou, a voz carregada de veneno.
Nicole balançou a cabeça e sussurrou.
"Este é o seu escritório, Nate. Quer que os funcionários fofoquem e falem mal de você? Você tem clientes esperando lá fora. Relaxe, por favor."
Então foi ela quem trouxe novos clientes? Para quem Nate abriu toda a sua agenda hoje?
"Por favor, apenas aceite seu erro e implore pelo perdão dele, Violet. Não é tão difícil." Ela insistiu, e Nate recostou-se na cadeira como se ela fosse quem estivesse no comando.
"Perdão pelo quê?", gritei, odiando a maneira como ela o estava apaziguando por algo que eu ainda nem entendia, e ele deixava.
Ela virou a tela do notebook e disse: "Você realmente não deveria ter feito isso, Violet."
Olhei para a tela e vi um perfil em um aplicativo de namoro com meus dados e algumas fotos muito sugestivas. Fotos que eu nunca teria tirado.
Olhei da tela para Nate, horrorizada. "Essa não sou eu, nem criei o perfil."
"Sim, e você também não teve essas conversas, certo? Você está tão desesperada por atenção que estava disposta a se vender?"
Ele bateu a mão na mesa enquanto clicava para abrir as mensagens que continham algumas conversas muito explícitas.
Nicole balançou a cabeça.
"Entendo. Você queria a atenção dele, mas essa realmente não é a maneira de fazer isso, Violet. De alguma forma, conseguimos derrubar o perfil e as conversas, mas e se a notícia se espalhasse de que a futura esposa de Nate era tão desesperada..."
Ela deixou a frase no ar, e vi os nós dos dedos de Nate ficarem brancos.
"Você está sendo muito gentil com ela, Nicole. Se não fosse por você, eu já a teria expulsado. Ela me dá nojo." Nate olhou para mim com puro ódio.
Fiquei em choque. "Nate, você me conhece desde a infância. Eu nunca faria algo assim."
Implorei, mas ele levantou a mão como se já tivesse tomado uma decisão.
"Cale a boca!" Nate rosnou, e novamente Nicole o impediu de se levantar, como se estivesse tentando impedi-lo de explodir.
"Era isso que você queria o tempo todo, Nicole? Você mal apareceu há dois dias e não está apenas tentando meter uma cunha no nosso relacionamento, mas também roubar o meu emprego. Se você tivesse alguma vergonha, não iria atrás de homens comprometidos."
Eu estava furiosa, mas ela piscou surpresa e olhou para Nate, seus olhos ficando úmidos.
"Eu te disse que não quero ser culpada por nada..." Ela começou, mas Nate segurou seu pulso.
"Você não tem culpa nenhuma, Nicole. Fique."
"Acredito que isso se qualifica como uma chance perdida. A última que restava", Rain me lembrou suavemente, mas minha mente estava muito focada na maneira como ele segurava a mão de Nicole para lhe dar qualquer resposta.
"Esse perfil é falso, Nate. Acredite em mim! Qualquer um pode usar o Photoshop para me incriminar." Olhei para ele, meus olhos marejados, mas meus apelos pareciam cair em ouvidos surdos.
"Fotos podem mentir, mas vídeos não, certo?"
Franzi as sobrancelhas em confusão quando começou a tocar um vídeo do restaurante onde estávamos no dia anterior. Assisti à cena se repetir mais uma vez enquanto os renegados invadiam e Nate corria para salvar Nicole.
"Não entendo", eu disse, olhando para eles em busca de uma explicação.
"Aí." Nate rebobinou rapidamente o clipe e deu zoom em um trecho específico em que eu aparecia. "Olhe você mesma."
Olhei para o meu reflexo como eu havia feito mais cedo, mas o efeito de zoom fazia parecer que eu estava me admirando com presunção.
O vídeo me mostrava sentada na diagonal oposta na linha de visão do estranho que havia me salvado.
E mostrava o breve sorriso no meu rosto enquanto observava a garçonete ficar nervosa.
Para mim, não tinha sido nada além de curiosidade, mas quando visto assim de um ângulo específico... parecia anseio.
Então os segundos seguintes deram zoom apenas em nós dois - o breve período em que nossos olhos se encontraram.
"Eu tinha pego você no flagra bem na hora, não tinha, Violet?", Nate perguntou. "Até te chamei de garota doce. Mal sabia eu quais jogos você estava jogando bem na frente dos meus olhos!"
"Eu... eu ainda não entendo o que você está tentando provar aqui. Mal estou olhando para ele", eu disse, e ele bateu a mão na mesa com raiva, me fazendo recuar com essa reação chocante.
"Como ousa fingir ser toda ingênua e inocente, Violet? Esta filmagem foi reproduzida repetidamente em todos os canais de notícias desde o ataque. E você sabe o que é comum em todos eles?"
"Você me deixando para morrer sozinha enquanto foge com Nicole?", retruquei, mas ele rugiu para mim.
"Mostra você devorando aquele homem com os olhos como se quisesse escorregar para a cama dele imediatamente. E então sorrindo para ele, escorregando para os braços dele sob o pretexto do ataque. Talvez você até tenha beijado ele. Não é à toa que fez tanto esforço para ficar bonita e se arrumar."
Quase ri amargamente.
"Eu tinha me arrumado para você, Nate. Nem sei quem ele é."
"Esse era o seu plano o tempo todo? Me enrolar e transar com o próximo rico que você encontrasse. Ele nem tem a nossa idade, pelo amor de Deus!" Ele fechou o notebook com força.
"Você nem olhou para trás na minha direção enquanto fugia com Nicole!"
"Não ouse tentar manchar o nome dela quando é você quem é podre e imunda!"
Tentei alcançar a mão dele, mas ele me afastou com veemência.
"Deixe-me ver você se safar dessa", esbravejou e avançou o vídeo até o momento em que o estranho correu na minha direção.
Assisti enquanto o homem me agarrava pelos braços.
Olhei para ele, ainda atordoada, enquanto o homem verificava rapidamente se eu tinha ferimentos, tocando meu rosto de leve.
"Olhe como você deixa ele te puxar para perto para um abraço apaixonado, como seus olhos amolecem quando ele joga algumas palavras doces para você. É assim que você é tarada!"
"Eu estava paralisada de choque, não abraçando ele", expliquei, mas o ângulo mudou novamente.
As costas do homem agora estavam voltadas para a câmera, a cabeça um pouco inclinada e apoiada em mim, enquanto sua mão segurava meu rosto.
"Relaxe, Nate. Você é seguro e legal, então talvez ela quisesse um gostinho de perigo." Nicole murmurou.
Que porra é essa?
"Você mesmo é um alfa, mas em vez de lutar contra os renegados, se escondeu atrás das pilastras como um maldito covarde enquanto ele lutou contra todos eles sozinho e me salvou", gritei, incapaz de me conter.
Nate ficou furioso.
"Olhe como você está ansiosa para defender aquele desgraçado. Falando mal do seu namorado para apoiar o homem que você nem conhecia até ontem! Ou talvez você já tenha dormido com ele..."
"Como pode dizer tais coisas?" Minha voz falhou, crua e magoada.
"Talvez ela se sentisse sufocada nesse relacionamento com você, Nate, já que você estava sempre ocupado com o trabalho." Nicole não perdeu tempo em colocar lenha na fogueira. "Todos nós fazemos escolhas ruins, Violet. Vou garantir que Nate perdoe você pelo seu erro. Você só precisa implorar o suficiente."
Tentei não deixar a raiva que fluía nas minhas veias me fazer cometer alguma imprudência.
Isso apenas forneceria a ela mais munição.
Então curvei meus dedos em punhos cerrados e senti algo quente escorrer das minhas palmas.
A dor me ajudou a focar.
"É isso que você queria ver? Parabéns por destruir meu lar e meu coração", eu disse e ela pareceu desconfortável por um segundo fugaz.
Mas Nate logo a denfendeu.
"Quero você fora da minha vida, e não quero ver seu rosto novamente. Você não merece uma segunda chance."
"Você é quem perdeu todas as suas chances", eu disse a Nate, que não fazia ideia do que eu quis dizer com as últimas palavras.
Não fiz questão de elaborar, mas Rain já tinha perdido a paciência a essa altura.
"Ele nem valia essa última chance, mas só me deixe sair e vou rasgar a garganta dele em pedaços."
Ao ver que ela estava furiosa, suspirei resignada. "Me desculpe por não ter te escutado antes, mas por favor, me deixe fazer isso do meu jeito."
Ela notou a mágoa crua na minha voz e, felizmente, recuou.
Então, endireitei minhas costas e declarei: "Já que você já decidiu que sou a culpada, não quero gastar meu fôlego explicando nada para você, Nate."
Como pude amá-lo todos esses anos, correr atrás dele como um cachorrinho devoto quando ele podia me abandonar com base nas palavras e em algumas fotos cuidadosamente tiradas?
"Você me quer fora da sua vida, certo? Considere feito", declarei firmemente.
"O quê? Você realmente vai embora sem nenhum pedido de desculpas?" Foi Nicole quem perguntou, soando surpresa por eu não estar mais implorando.
"Nem pensar", eu disse e me virei sem olhar para trás.