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A bruxa desperta

A bruxa desperta

Autor: Eff.J
Gênero: Lobisomem
Maya Alvarez sempre foi uma excluída. Nascida do Beta de sua matilha e de uma bruxa, sua existência foi controversa desde o início. No momento em que o pai encontrou sua verdadeira companheira, expulsou a mãe de Maya e se recusou a deixá-la levar Maya embora, insistindo que a garota se tornaria uma loba como o resto da matilha. Quando Maya não conseguiu se transformar no seu décimo oitavo aniversário, a verdade ficou inegável: ela era uma bruxa. Seu pai se tornou frio, e os murmúrios da matilha se transformaram em violência. Apenas suas irmãs ficaram ao seu lado. Então, a tragédia aconteceu. Seus pais morreram em um acidente repentino, deixando as garotas sozinhas e vulneráveis. O verdadeiro golpe veio quando elas descobriram que o acidente não foi acidental, mas um ataque direcionado. Caçadas e sem lar, as irmãs tinham que navegar por um mundo perigoso onde a lealdade era escassa, as ameaças se aproximavam e sua antiga matilha poderia estar disposta a entrar em guerra para recuperá-las. Será que conseguiriam encontrar segurança antes que fosse tarde demais?
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Capítulo 1 O primeiro obstáculo

Ponto de vista de Maya

Atrás de mim, uma voz irritada ecoou. "Que diabos você está fazendo aqui?"

Xinguei mentalmente, pensando que não ter minha loba significava que eu não seria avisada de que ele estava voltando. Um aviso teria sido útil.

A essa altura, eu já havia colocado o dinheiro e os documentos do cofre secreto na minha bolsa. Felizmente, ele nunca soube que havia quase cinquenta mil guardados lá quando se mudou para cá. O cofre estava fechado, trancado e escondido sob o tapete novamente. Ele não fazia ideia do porquê eu estava lá, e eu não iria contar isso a ele.

Na verdade, esse dinheiro pertencia à minha família, e eu estava reivindicando o que era de direito meu e das minhas irmãs.

"Só queria visitar meus pais mais uma vez. Sinto muita falta deles." Levantei-me lentamente para encará-lo.

"Já se esqueceu de que esta não é mais sua casa? Por acaso costuma invadir casas? Não te dei permissão para estar aqui. E sei muito bem que o lugar estava trancado quando saí. Então, como conseguiu entrar?", ele perguntou. A cada pergunta, sua voz se elevava enquanto olhava ao redor do escritório, procurando por qualquer sinal de dano ou perturbação.

Estendi minha mão, mostrando a chave pendurada no meu chaveiro. "Com isso. Só queria me despedir do meu pai pela última vez. Por isso estava no escritório dele. Não toquei em nada que seja seu e não voltarei mais aqui. Aqui está minha chave."

"Seu pai não te queria mais aqui. Ainda sou novo na matilha, mas até eu sei disso. Quando ficou claro que você não tinha loba, ninguém mais te quis. Você é um peso para nós. Come nossa comida e não oferece nada em troca. Não finja que não sabe que é inútil. O que você precisa é de um homem disposto a te proteger, se é que você conseguirá encontrar um. Você é a pior pessoa desta matilha. A única coisa que você tem a seu favor é sua beleza. Não me importaria até de te dar uma provadinha, mas com certeza não te reivindicaria. Mesmo assim, já que você foi tão gentil em entrar, ninguém precisará saber." Ele se aproximou de mim.

Para me proteger, imediatamente dei um passo para trás e fui para o outro lado da mesa do meu pai.

"Não, obrigada, Trey. Não estou nem um pouco interessada em você. Vou deixar minha chave reserva aqui na mesa. Estou indo agora", disse, mantendo minha voz firme apesar do nojo que me invadia.

Seus olhos percorriam meu corpo, e eu me sentia mal. Precisava sair de lá o mais rápido possível!

"Eu sei que Damien te quer, mas uma provadinha não fará mal", disse Trey, se aproximando cada vez mais.

Mantive a mesa entre nós enquanto ia em direção à porta, mas quando estava prestes a passar, senti suas garras atingirem minha panturrilha esquerda. A dor explodiu na minha perna quando gritei e caí, seu aperto me imobilizando. Podia sentir o estrago que ele estava fazendo na minha perna, rasgando músculos e tendões.

Com um sorriso doentio no rosto, ele se aproximou e disse: "Não me importo com o que você quer, bruxa. Só quero uma provadinha para me satisfazer, até que Damien termine com você ou te engravide. Então será a minha vez."

Ergueu um dedo com garra e rasgou minha blusa e sutiã.

Como ele estava muito concentrado em mim, não percebeu minha irmã até que fosse tarde demais. Lauren deu um soco na cabeça dele, o deixando inconsciente.

Ele caiu em cima de mim, suas garras se retraindo à medida que a inconsciência o dominava. Juntas, empurramos o corpo dele para o lado, e ela me ajudou a me levantar, me levando para o SUV dos nossos pais.

Agora, o plano estava em ação. Estávamos fugindo ou sendo arrastadas para uma vida com homens que desprezávamos.

Após abrir a porta traseira e virar o assento para frente, Lauren me ajudou a me deitar na terceira fileira.

Meliza, minha outra irmã, já estava escondida, encolhida no chão da segunda fileira. Se fôssemos pegas, ela e Lauren teriam que lutar. Eu não poderia ajudar, e foi exatamente por isso que me ofereci para pegar o dinheiro.

Eu sabia que Trey tinha uma reunião esta manhã com o Gama Zach e o Alfa Damien. Ele devia ter voltado mais cedo, provavelmente por ter se esquecido de algo. Damien adorava ouvir a própria voz, então suas reuniões nunca duravam apenas cinco minutos.

Sem querer considerar que isso poderia ser uma armadilha, tirei o sutiã e a blusa rasgados, os substituindo por uma camiseta limpa da minha bolsa. Não arriscaria ser exposta se algo desse errado e queria estar preparada. Tínhamos que ir. Preferia morrer a viver sob o controle de Damien.

O medo me consumiu quando nos aproximamos do portão da matilha, meu coração batendo forte no peito.

Meliza e eu permanecemos em silêncio enquanto Lauren abria a janela para cumprimentar o guarda. "Ei, Dan, pode abrir o portão para mim? Preciso buscar um pacote para a Luna"

"Claro, Lauren", ele respondeu, se aproximando para abrir os dois lados do portão.

A matilha tinha dinheiro, então por que não atualizavam esse portão antigo? Isso nos deixava com uma aparência vergonhosamente ultrapassada.

"Até a volta, Lauren. Se cuide", Dan disse.

"Obrigada, Dan. Se cuide também. Te vejo em breve", ela respondeu, fechando a janela enquanto avançávamos.

Esse era o momento da verdade.

Sem chamar a atenção, ela dirigia devagar. Enquanto eu observava pela fresta do assento, ela mantinha um olho no retrovisor. Nenhuma de nós respirou até que ela disse: "O portão está fechado."

O receio de Lauren era que Dan pudesse sentir o cheiro de Meliza, já que ela era uma loba, ou perceber meu sangramento. Felizmente, Lauren era confiável e querida por todos.

Conseguimos passar pelo primeiro obstáculo, mas ainda não estávamos seguras. Em breve, alguém iria procurar por Trey e, quando isso acontecesse, eles saberiam que tínhamos ido embora.

Ainda não havíamos rejeitado a matilha. Lauren disse para esperar trinta minutos antes de fazer isso, tempo suficiente para nos distanciarmos deles. Fazer isso agora só os alertaria mais rapidamente.

"Meliza, pegue um papel e anote", ordenou Lauren.

Sentando-se, Meliza começou a anotar tudo o que Lauren ditava. Embora Lauren fosse a filha do meio, sempre foi nossa protetora. Ela ditou uma lista de suprimentos médicos, e Meliza anotou tudo.

Para estranhos, Lauren poderia parecer fria e rígida, mas nós sabíamos que ela era carinhosa, corajosa e leal. Nesse momento, ela estava no que eu chamava de "modo de batalha", e não relaxaria até que estivéssemos seguras. Ela passaria por fogo por nós, e eu era grata por isso. Se sobrevivermos, será por causa dela. Agora, eu só confiava nas minhas irmãs.

"Meliza, rasgue a lista ao meio para que possamos nos dividir e pegar tudo mais rápido. Pegue algum dinheiro com Maya, vamos precisar de pelo menos cem para cobrir tudo. Leve sua parte da lista, e eu levarei a minha. Nos encontraremos no caixa", instruiu Lauren quando entrou no estacionamento de um mercado.

"Maya, quando eu parar, vou virar o assento para que você possa tentar ir para trás. Sei que você está com muita dor. Se não conseguir, te ajudaremos quando voltarmos. Sinto muito que você tenha se machucado, mas Meliza vai cuidar e enfaixar sua perna enquanto dirijo. Temos que agir rápido, eles virão atrás de nós", ela acrescentou, a voz tensa e urgente.

Após estacionar, Lauren virou o assento para mim e passou a mão pelos meus cabelos num gesto carinhoso. "Te amo, Maya. Tudo vai ficar bem. Não conseguirei relaxar até saber que estamos seguras. Ainda precisamos abastecer o SUV e pegar a estrada o mais rápido possível."

Após dizer isso, fechou a porta e entrou no mercado às pressas.

Eu estava encharcada de suor por causa da dor, mas não iria deixar que isso me impedisse. Às vezes, só queria ter uma loba. Se eu tivesse, ela já teria começado a curar o ferimento, talvez até amenizado a dor. Odiava ter que ser resgatada pelas minhas irmãs mais novas.

Eu não era fraca, mas me sentia assim. Como a mais velha, deveria protegê-las, e não o contrário, mas não conseguiga.

Eu era uma híbrida, metade loba, metade bruxa.

Minha mãe me deixou para trás. Meu pai era o Beta da nossa matilha, a Matilha Blackwood.

Assim que Lauren e Meliza voltaram, Meliza abriu a porta, virou o assento para trás e entrou para cuidar do meu ferimento.

Lauren levou o SUV até um posto de gasolina e entrou para pagar, em seguida, voltou com um saquinho de salgadinhos e bebidas para nós.

Após terminar de enfaixar minha perna, Meliza foi para o banco do passageiro.

"Deite-se, Maya. Vamos dirigir algumas centenas de quilômetros antes de abandonar este SUV. Não quero que eles nos rastreiem por ele", disse Lauren enquanto ligava o motor.

Deitei-me, sentindo o cansaço me dominar. Apesar da minha perna latejar a cada batida do meu coração, fechei os olhos. O sono veio agitado, e minha mente rezou para a Deusa para que conseguíssemos chegar à próxima fase da nossa fuga.

Capítulo 2 Sem volta

Ponto de vista de Maya

Eu me sentia fraca enquanto corríamos em direção à estação de trem, o sangue ainda escorrendo pela minha perna. Era isso que estava me esgotando. Essa era a nossa terceira, e esperávamos que fosse a última, troca de transporte nas próximas horas. Tínhamos acabado de descer de um ônibus em que ficamos presas por horas.

Eu sabia que estava atrasando minhas irmãs, o que me consumia de culpa. Elas se recusavam a me deixar para trás, mas se eu fosse o motivo de sermos pegas, jamais me perdoaria.

Ignorando a dor latejante, forcei minhas pernas a se moverem mais rápido. Se eles nos pegassem, nosso futuro estaria arruinado, tirado de nós e destruído. Minha irmã Lauren disse que lutaríamos até a morte antes de voltar para lá, o que só me lembrou de que eu era a mais fraca de nós.

Quando chegamos à estação, Lauren correu para comprar os bilhetes, enquanto Meliza me ajudava a passar pela multidão.

Levamos alguns minutos para chegar, com Meliza segurando firmemente minha cintura. Eu rezava para que minha calça jeans preta estivesse escondendo o sangue. Só precisava me sentar e conter o sangramento. Uma parte de mim queria ir ao banheiro e cuidar do ferimento, mas não havia tempo.

Lauren já estava nos chamando para segui-la. Ela estava certa - não podíamos nos dar ao luxo de nenhum atraso. Os rastreadores estavam chegando, e o Alfa Damien não me deixaria ir.

A obsessão que ele tinha por mim só se intensificou depois que nossos pais morreram no mês passado. Nunca fui dele de verdade, mas ele me perseguia incansavelmente.

Sua Luna, Kayla, era outro pesadelo. Ela me odiava há pelo menos cinco anos, talvez mais. Ela fingia bem, assim como a maioria das pessoas da matilha.

Porém, eu nunca pertenci àquele lugar. O único motivo de eu ter um lugar lá era meu pai.

Como Beta da Matilha Blackwood, ele tinha sangue Alfa, e ninguém ousava enfrentá-lo. Ele nunca quis liderar, apenas proteger, preferindo treinar guerreiros e passar tempo com sua família. Ele havia se apaixonado pela minha mãe, uma bruxa chamada Ciara, que vivia tranquilamente na floresta.

As bruxas não encontravam companheiros da mesma forma que os lobos. Não havia um vínculo mágico, apenas amor. Embora ela tivesse resistido no início, acabou se apaixonando por ele também.

Quando eu tinha dois anos, meu pai viajou para um treinamento especial. Ao voltar, ele trouxe Helen, já marcada, o que destruiu minha mãe. Ele havia marcado Helen antes de enfrentar minha mãe, sabendo que ela imploraria para que ele mudasse de ideia. Helen era filha do Alfa que estava promovendo o treinamento. Ela tinha pouco prestígio e havia partido com seu novo companheiro - meu pai - sem hesitar.

Minha mãe queria me levar com ela. Ela disse que já conseguia sentir minha magia e sabia que eu era uma bruxa, já que não sentia uma loba em mim. No entanto, meu pai a acusou de mentir. Ele a ameaçou, dizendo que ela seria caçada se tentasse me levar, e jurou que eu estaria mais segura com ele.

Com isso, minha mãe partiu em lágrimas e nunca mais voltou. Tudo o que eu sabia sobre ela veio da nossa cozinheira Ômega, minha babá, a única que me dava valor.

Helen não era cruel, apenas distante. Ela favorecia suas filhas, enquanto eu a lembrava do que meu pai tinha antes dela. O amor que ele sentia pela minha mãe lançava uma sombra sobre essa relação.

Depois que não consegui me transformar aos dezoito anos, meu pai desistiu de mim. Ele nunca disse isso em voz alta, mas o arrependimento era evidente nos seus olhos. Ele queria ter deixado minha mãe me levar, mas àquela altura, já era dezesseis anos tarde demais.

Ela nunca escreveu, nunca ligou, nem nunca tentou. Fui deixada para sofrer entre lobos que nunca me consideraram um deles.

Apenas minhas irmãs me viam como igual, nunca me tratando com inferioridade. Lauren, que tinha quatorze anos quando eu fiz dezesseis, sempre me protegeu, enfrentando Kayla e suas amigas sem hesitar.

Nossa matilha era grande, com quase 900 membros, e a escola era brutal. Eu não conseguia me enturmar, especialmente porque minha turma tinha apenas quarenta alunos, o que tornava mais difícil passar despercebida.

Lauren sempre sabia quando eu precisava dela. Mesmo quando tentavam isolá-la, ela revidava. Feroz e destemida, ela era uma lutadora como meu pai, que sempre ficava impressionado com ela. Ela era obediente, treinava duro e se transformou cedo. Todos diziam que era o sangue Alfa dela se manifestando.

Eu tinha a aparência da minha mãe, com cabelos platinados ondulados, olhos azuis-claros e um corpo curvilíneo, o que me tornou um alvo fácil para os garotos. Os garotos gostavam da minha aparência, mas nenhum deles me queria. Ser uma híbrida como eu era um tabu. Eu era o segredo sujo que ninguém queria, e os sussurros pelas minhas costas eram cruéis e constantes.

Lauren já estava no vagão, conversando com um funcionário que segurava um banquinho. Ela olhou para nós, se segurando para não gritar e nos apressar.

Quando entramos no terminal, paramos de correr, pois não podíamos chamar atenção, mas já estávamos chamando atenção de qualquer forma.

Nós três éramos bonitas, mas não nos parecíamos uma com a outra.

Lauren tinha 1, 78 de altura, magra e atlética, com cabelos loiros-dourados lisos presos num rabo de cavalo alto, um sinal de que estava pronta para uma luta. Seus olhos castanhos brilhavam com pontos dourados. Ela se parecia com sua mãe, forte e determinada.

Um alívio estampou seu rosto quando o homem verificou nossos bilhetes e me ajudou a subir os degraus.

Meliza ficou ao meu lado, com um braço em volta da minha cintura enquanto caminhávamos pelo corredor até nossos assentos. Fiquei grata por serem bancos, pois poderíamos nos deitar. Pretendia cuidar da minha perna o mais rápido possível, já que não me curava como elas.

Meliza me ajudou a me acomodar. Ela tinha a minha altura, 1, 75, com os cabelos castanhos e olhos cinzentos do nosso pai. Doce, gentil e a mais meiga de nós, ela evitava brigas, a menos que fosse extremamente necessário. No entanto, eu sabia que ela tinha um lado explosivo quando era preciso, capaz de surpreender até Lauren.

Enquanto me ajudava, ela me olhava com preocupação, e seus olhos cinzentos brilhavam. Eu queria chorar de tanta ternura. Podíamos estar seguras por enquanto, mas não podíamos baixar a guarda. Teríamos que nos revezar para dormir. A Matilha Blackwood não desistiria - eles certamente viriam atrás de nós.

Exausta, deitei a cabeça no banco. Não dormia há quase quarenta horas. Incapaz de lutar contra o sono por mais tempo, fechei os olhos e desmaiei.

Capítulo 3 A única luz nos meus dias

Ponto de vista de Maya

Estava tendo sonhos terríveis, daqueles que sempre começavam no momento em que tudo desmoronou. Sonhei que estávamos de volta à casa da matilha, logo após o meu aniversário de dezoito anos. Como não havia me transformado em minha loba, era tratada como algo inferior a uma Ômega.

Eles garantiam que eu ficasse com todo trabalho que consideravam nojento demais para si mesmos. Todos os dias, esfregava os banheiros da casa da matilha. Também limpava os banheiros públicos do lado de fora do refeitório, perto da sala de estar principal, e a pequena arena usada para eventos e reuniões. Sorte a minha.

"Ora, ora, vejam só quem está aqui", ouvi Kayla debochar atrás de mim enquanto eu esfregava a última cabine do banheiro feminino.

"É a vadia inútil que nem consegue se transformar", Tanya zombou.

"A maldição da nossa matilha", Emma acrescentou. "Queria que sua mãe vadia tivesse te levado com ela quando fugiu com o rabo entre as pernas."

"Não fale da minha mãe", eu disse enquanto me levantava e me afastava do vaso sanitário, lembrando-me da última vez que me pegaram aqui. Não consegui lutar contra elas, e elas sabiam disso e sempre miravam na minha família, a única coisa que garantia uma reação minha.

"O que você vai fazer?", Kayla provocou, aproximando-se. "Você não tem poderes, nem loba. Como exatamente planeja nos impedir?"

Elas me jogaram contra a parede. Tanya e Emma agarraram meus braços para me imobilizar.

Kayla estendeu suas garras, abrindo aquele sorriso doentio e ciumento que eu passara a odiar. Ela odiava que Damien olhasse para mim, mesmo que eu não o quisesse. Ela não queria me assustar, mas queria causar um dano real.

"Pare, Kayla", eu disse, forçando calma em minha voz. "Você vai se encrencar por isso. Não vou deixar você sair impune. Os Anciãos vão ouvir falar."

Isso me garantiu dez segundos, então ela soltou um sorriso presunçoso. "Quem acreditaria em você, Maya? Será a minha palavra contra a sua. E Tanya e Emma vão me apoiar. Ninguém te quer aqui, nem mesmo seu próprio pai. Você não tem loba, o que só deixa uma explicação: você é uma bruxa. Ninguém se sente seguro com você por perto. Estou fazendo um favor a toda a matilha. Você não vai sair andando hoje. É melhor que esteja morta."

"Nós acreditaríamos", uma voz ecoou - Lauren.

Olhei em direção à porta. Lauren e Meliza estavam paradas ali. Elas tinham apenas dezesseis e quinze anos na época, então não eram páreo fisicamente para as nossas agressoras. Kayla, Tanya e Emma tinham todas a minha idade. Apenas nossa família sabia que Lauren havia se transformado cedo. Meliza provavelmente também se transformaria, graças ao sangue Alfa. Nosso pai usava esse fato para destacar o quanto eu era uma decepção.

Em vez de recuar, Kayla avançou, suas garras apontadas para o meu pescoço. Senti-as roçarem minha pele antes de Lauren a puxar de volta.

A mão direita de Lauren também estava com garras, seu aperto de ferro no braço de Kayla. Vi onde Kayla estava mirando: ela pretendia cortar meu pescoço e me deixar sangrar até a morte.

Kayla gritou quando as garras de Lauren se cravaram mais fundo em seu braço, forçando-a a se afastar.

A porta se abriu de repente. A Gama Bridget, mãe de Kayla, estava parada na porta, chocada. "Que diabos você está fazendo com a minha filha?"

"Por que você não ajudou minha irmã quando sua filha feia a atacou? Ou você estava servindo de vigia enquanto ela tentava matá-la?", Meliza retrucou. "Kayla, todo mundo sabe que você quer tanto ser a Luna que é capaz de matar a concorrência. Mas mesmo que você a matasse, Damien ainda suspiraria por ela. Nós até percebemos que ele não consegue tirar os olhos da Maya."

"Solte-a! Se a machucar, vou te denunciar ao Alfa", Bridget sibilou.

"Então diga às lacaias da sua filha para soltarem minha irmã primeiro", Lauren disse calmamente. "Solto Kayla quando elas soltarem Maya. Posso ser jovem, mas sei em quem posso e não posso confiar aqui."

"Você não é melhor do que aquela bruxa que chama de irmã", Bridget disse friamente. "Um dia, vai aprender da maneira mais difícil que não se pode confiar em uma bruxa. Nem mesmo na sua própria família."

"Me solta!", Kayla gritou novamente, seu braço ainda sangrando. Sua loba não conseguia curá-la com as garras de Lauren cravadas nela.

Tanya e Emma hesitaram, mas finalmente me soltaram, com um último empurrão contra a parede.

Lauren cumpriu sua promessa e soltou Kayla.

Kayla segurou o braço, depois se aproximou para sussurrar no meu ouvido: "Não sou só eu que te quero morta. Agradeça às suas irmãs por enquanto. Mas vou te pegar, Maya. Damien não vai escolher você em vez de mim. Não nesta vida."

Ela se virou para sair, mas parou novamente, sua voz afiada de raiva. "Lauren, você fez a escolha errada hoje. Vou garantir que se arrependa."

Então a porta se fechou atrás dela.

A ameaça era real. Kayla me queria morta. E ela não era a única. Eu era impotente aqui, sem loba, sem mentor para me ensinar a ser uma bruxa. Mesmo que alguém tivesse ensinado, a matilha teria me expulsado no momento em que eu demonstrasse qualquer poder.

Ela estava certa. Ninguém aqui me queria. Nem mesmo meu próprio pai ou minha madrasta. Eles nem fingiam mais.

Só continuava aqui pelas minhas irmãs. Elas eram a única razão pela qual eu saía da cama, a única luz nos meus dias. Eu tinha ficado para protegê-las, mesmo sem uma loba. Eu só queria ser a irmã mais velha que elas mereciam, forte o suficiente para mantê-las seguras, assim como elas me protegeram.

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