Ponto de vista de Elena
"Assassina!" Enquanto eu limpava o salão, os membros da matilha me insultavam.
Abaixei a cabeça ainda mais e limpei mais rápido, na tentativa de apagar todos os traços do escárnio e ódio deles por mim.
Era só isso que eu podia fazer. Revidar só me traria punição, o que aprendi da pior forma há muito tempo.
Nossa matilha, a Wind Borne, estava se preparando para um banquete para receber o Rei Alfa Draven. No dia do evento, fui encarregada de limpar o salão.
Isso não era muito diferente de qualquer outro dia da minha vida, já que sempre era obrigada a fazer alguma coisa. Às vezes, era uma tarefa que os empregados achavam cansativa demais, ou algo que ninguém mais queria fazer.
Algo nojento e indigno. Essas tarefas eram sempre jogadas para mim, a lixeira da matilha.
"Você está limpando muito devagar", disse um membro da matilha, parando na minha frente com dois amigos atrás dele.
Eles me observavam com um sorriso cruel nos lábios.
O membro da matilha sorriu, confiante e seguro de si, e ergueu a voz: "Você não está tentando perder tempo só para poder entrar na seleção, está?"
Por um segundo, o silêncio se instalou no salão, e vários olhares se voltaram para nós. Então, eles começaram a rir.
Encolhi-me quando suas risadas me atingiram. Como a lâmina afiada de uma faca nas mãos de um açougueiro, essas risadas me cortavam impiedosamente, sem parar mesmo quando eu já estava sangrando.
"Não estou", respondi baixinho.
"Não está o quê?", ele perguntou, fazendo uma careta ao me olhar. "Não está interessada em ser a Rainha Luna?"
"Não", respondi, balançando a cabeça.
"Ótimo", ele disse, se pondo de pé. "Você não passa de uma escrava, nunca se esqueça disso. Você não tem nem o direito de mencionar o nome do Rei Alfa, muito menos pensar em ser a companheira dele."
O Rei Alfa Draven já tinha 35 anos, mas ainda não havia encontrado sua companheira, embora a maioria dos lobos encontrasse a sua aos 16 anos.
Inicialmente, surgiram rumores de que sua companheira poderia já estar morta, ou talvez a Deusa da Lua não tivesse lhe dado uma por causa da sua crueldade.
Ele era um guerreiro da sua matilha desde a adolescência e, com pura força de vontade, transformou-a de uma matilha de médio porte na maior matilha de lobos de toda a América do Norte. Agora, no auge do seu poder, todos esperavam que ele encontrasse uma companheira para continuar seu legado.
Certa vez, eu também sonhei em encontrar meu companheiro. Passei noites em claro fantasiando, na tentativa de imaginar como seria quando o conhecesse pela primeira vez.
Mas agora sabia que ninguém me queria. Para eles, eu não passava de uma excluída, uma mancha no nome da matilha, uma assassina que matou a própria mãe.
"Escrava, Luna Sophia está te procurando", disse uma empregada, despertando-me dos meus devaneios.
Abaixei a cabeça e segui a empregada rapidamente, grata pela escapada, mas ao mesmo tempo me perguntava o que Luna Sophia poderia querer comigo dessa vez.
Fiquei repassando tudo o que havia feito recentemente. Será que havia arrumado tudo direito da última vez que limpei o quarto dela?
Será que esqueci de dobrar as pontas do edredom? Ou organizei o armário de sapatos por cor ao invés de por marca?
Enquanto caminhava atrás da empregada, lembrei-me de como era antes de me tornar uma escrava.
Dez anos atrás, no meu aniversário de 16 anos, o dia em que era para eu encontrar meu companheiro, minha prima Sophia me disse que minha mãe estava me procurando para me dar meu presente.
Animada, fui até o quarto dela, mas quando entrei, vi ela numa poça de sangue, com uma faca cravada na barriga.
Talvez eu devesse ter pedido ajuda aos membros da matilha, mas naquele momento, ao ver minha mãe deitada ali, perdi completamente a razão.
Sem pensar duas vezes, ajoelhei-me ao lado dela, minhas mãos trêmulas pairando sobre seu corpo, sem saber o que fazer. Até que ouvi sua voz, um sussurro baixo e fraco me chamando.
Aproximei meu ouvido dos seus lábios para ouvi-la melhor.
"Não confie em ninguém. Me desculpe por não poder ficar mais tempo com você."
Meu coração se congelou e olhei para ela, percebendo o quão pálida ela estava. Ela estava morrendo. Enquanto eu estava imensamente feliz por finalmente ir conhecer meu companheiro, minha mãe estava morrendo.
Saí correndo, sem nem sentir a dor no meu dedão quando bati na quina de uma mesa.
Eu estava chegando à porta da casa quando os membros da matilha entrou abruptamente, meu tio à frente. Eles passaram correndo por mim, indo direto para o quarto da minha mãe. Fui atrás deles lentamente, só para ouvir o grito do meu tio.
"Sua bastarda! Se não fosse contra a lei da matilha, eu teria quebrado seu pescoço!" Ele me agarrou, me sacudindo violentamente. "Como pôde matar sua própria mãe, sua aberração?!"
Tentei explicar, mas ninguém me ouviu. Todos balançavam a cabeça, com olhares acusadores.
Quando vi Sophia, virei-me para ela com expectativa. Afinal, ela poderia me defender, já que foi ela quem me chamou, mas ela gritou e recuou no momento em que me viu olhando para ela.
Minha cabeça não conseguia entender o que estava acontecendo. Por que ela não estava dizendo nada? Por que não estava me defendendo?
Enquanto eu estava ali, sob o julgamento dos membros da matilha, um cheiro doce atingiu minhas narinas - cravo, com um toque de almíscar. Confusa, pisquei os olhos, mas minha loba saltou de alegria. "Companheiro! Vá logo encontrá-lo. Ele vai nos salvar!"
Virei-me na direção do cheiro e o vi: o Alfa Carter, líder da nossa matilha e agora, meu companheiro.
A esperança se acendeu novamente dentro de mim enquanto corria em sua direção, mas ele passou por mim como se eu fosse invisível, foi até Sophia e a puxou para seus braços, acariciando os cabelos dela enquanto ela chorava baixinho no seu peito.
Uma pontada aguda atravessou meu coração e quase caí. Minha loba, Lara, estava confusa. "Por quê? Por que nosso companheiro estava nos ignorando? Ele não via que também estávamos sofrendo?"
Contudo, eu não tinha respostas para ela, já que também estava incapaz de entender o que estava acontecendo.
Após limpar a garganta, o Alfa Carter começou a falar: "Elena Reed foi considerada culpada pelo assassinato de sua mãe e é, por meio deste, destituída de seu status de ômega e rebaixada a escrava da matilha. De agora em diante, ela viverá separada da matilha e só virá ao território para cumprir suas funções como escrava."
Fiquei ali, em choque, vendo meu companheiro me condenar a uma punição pior que a morte, enquanto segurava outra mulher nos braços.
Minha loba chorava, implorando-me para me aproximar do nosso companheiro e fazê-lo ver a razão, mas quando olhei para o Alfa Carter, vi o aviso claro nos seus olhos. O vínculo de companheiros era o único motivo pelo qual eu ainda estava viva, mas se o forçasse, ele não hesitaria em tirar minha vida.
Então, dei um passo para trás em silêncio e aceitei minha punição. Minha loba chorou por dias, sua voz diminuindo a cada dia que passava, até que um dia não consegui mais ouvi-la.
Pouco depois, o Alfa Carter declarou que havia encontrado sua companheira, nomeando Sophia como sua Luna.
Ponto de vista de Elena
Entrei no quarto de Luna Sophia em silêncio e mantive minha cabeça baixa. Da última vez que ousei olhar para ela, fui chicoteada por sete dias seguidos. Cicatrizes ainda estavam visíveis nas minhas costas.
Toda vez que tomava banho, elas me lembravam que eu não era mais uma ômega comum da matilha, mas uma escrava, que poderia ser tratada e punida como bem entendessem.
Luna Sophia disse suavemente à empregada: "Obrigada por trazê-la, Rhea. Pode ir agora."
Ela se aproximou de mim, o que só me fez abaixar a cabeça ainda mais, mas ela a ergueu com a mão, me forçando a olhar nos seus olhos.
Tentei ao máximo não piscar.
"Pobre coitada da Elena. Você costumava ser tão linda, com cabelos loiros e olhos verdes brilhantes, mas olhe para você agora. Tão suja e fedorenta. Já tomou banho esta semana?", ela perguntou, rindo baixinho.
"Não, Luna", respondi com sinceridade, pois não adiantava mentir para ela, já que ela poderia facilmente descobrir a verdade e mentir poderia me render outra chicotada.
"Boa garota." Ela acariciou meu cabelo suavemente, satisfeita com minha atitude. "Você sabe o quanto fizemos por você, não sabe? Tudo o que sacrificamos?"
"Sim, Luna. Qualquer outra matilha teria matado uma assassina como eu, mas você me permitiu pagar pelos meus pecados. Obrigada pela sua misericórdia, Luna", respondi mecanicamente.
Já repeti essas palavras tantas vezes que poderia recitá-las até dormindo.
"Sim, te dei uma oportunidade", ela disse, limpando a mão com o lenço que pegara da mesa, provavelmente por causa do meu cabelo imundo.
Após terminar de limpar a mão, sorriu para mim novamente. "Sabia que fui eu quem pediu ao Alfa Carter para poupar sua vida? Nosso vínculo de companheiros nos permite nos comunicar mentalmente. Ele só teve pena de você por minha causa."
Ela estava mentindo, e eu sabia disso.
Eu era a companheira do Alfa Carter, não ela, mas sabia que era isso que ela queria que eu dissesse. Ela queria que eu reagisse para ela ter uma desculpa para me punir, mas eu não iria lhe dar esse gostinho.
Mantive meu rosto inexpressivo para esconder meus pensamentos, já que Luna Sophia tinha o dom de descobrir exatamente o que eu estava pensando.
Sua voz se tornou mais rígida. "É por isso que, Elena, fiquei tão chateada quando soube que você estava tentando seduzir o Alfa Carter. Como pôde me trair assim, viu? Depois de tudo o que fiz por você."
Meus olhos se arregalaram diante da acusação, e me defendi rapidamente: "Não seduzi o Alfa de jeito nenhum! Alguém deve estar tentando me incriminar."
Na verdade, foi o Alfa Carter que tentou se aproximar de mim.
Já o peguei olhando para mim várias vezes com olhos cheios de luxúria, mas sabia que dizer isso não ajudaria em nada na minha situação, então fiquei em silêncio.
"Está chamando a sua Luna de mentirosa, Elena? Vi com meus próprios olhos."
Fiquei tensa, Eu deveria ter previsto isso. Não importava o que dissesse ou como tentasse evitar, no fim, sempre acabava sendo punida.
Luna Sophia não precisava de um motivo para me punir, pois poderia inventar um por conta própria, e ninguém sequer se importaria.
Afinal, ninguém se importava com uma escrava.
Ela se agachou no chão ao meu lado. "Saiba o seu lugar, escrava. Alfa Carter nunca vai te querer. Da próxima vez que eu te pegar tentando seduzi-lo, vou destruir seu rosto."
Inclinando-se para mais perto, continuou com a voz fria e ameaçadora: "De qualquer forma, ninguém vai acreditar em você, mas se ousar dizer uma palavra sobre isso a alguém, vou esquecer que um dia fomos primas. Agora saia, você está fedendo o meu quarto com esse seu cheiro."
Quando me levantei, prestes a ir embora, ela disse: "Ah, e você ficará responsável pela limpeza do banheiro pelo resto da semana."
Perdi o equilíbrio por um momento, mas logo me endireitei, sem me esquecer de dizer "Obrigada, Luna" antes de sair do quarto.
*********
O banheiro da matilha estava uma bagunça. Passei muito tempo limpando, mas toda vez que terminava, outro membro bêbado da matilha entrava e eu tinha que começar tudo de novo.
Comecei a entender por que ela havia me designado para esta tarefa: só queria me manter longe da vista de qualquer um que pudesse se perguntar o que havia acontecido comigo.
Ela tinha a reputação de ser uma Luna gentil, e eu tinha certeza de que ela não queria que as pessoas vissem como ela realmente me tratava quando estávamos a sós.
Entrei no banheiro novamente para começar a limpeza. Quando estava focada na minha tarefa, ouvi a porta se abrir e ergui a cabeça.
Alfa Carter entrou.
Rapidamente, fui até a porta, murmurei um pedido de desculpas e passei por ele. De repente, ele me agarrou e me empurrou para trás, me prensando contra a pia. Paralisei por um momento, mas quando ele começou a me tocar, meu instinto de luta ou fuga foi instantaneamente ativado e comecei a me debater.
"Fique quieta", murmurou Alfa Carter enquanto me dava um tapa forte no rosto, bem no meu olho machucado.
O tapa me deixou atordoada por alguns segundos antes de começar a entrar em pânico.
Ele estava bêbado. Mesmo que eu gritasse e alguém viesse, não havia garantia de que não seria punida por isso. Eles poderiam dizer que tentei seduzir o Alfa Carter quando ele estava bêbado.
Enquanto me segurava com uma mão, ele desabotoou o cinto com a outra. Sua mão apertava meu pescoço com força.
Eu podia ver pontos pretos nos cantos dos meus olhos à medida que minha respiração era cortada.
Uma parte de mim queria desistir e simplesmente deixá-lo fazer o que quisesse, já que pelo menos estaria viva no final. Mas de repente, meus olhos avistaram um frasco aberto de água sanitária, ligeiramente fora do meu alcance.
Ponto de vista de Elena
Relaxei meu corpo instantaneamente para fazê-lo pensar que havia desistido de lutar. No momento em que ele baixar a guarda, eu atacaria.
O cheiro de álcool exalava do seu hálito enquanto ele dizia com um sorriso: "Boa garota, sabia que você iria se render."
Em seguida, começou a levantar meu vestido desajeitadamente, o deixando escapar das suas mãos algumas vezes.
Boa garota. Boa garota. Boa garota.
Um sinônimo de capacho.
Eles sabiam que eu aguentava tudo o que fizessem comigo, e eu aceitava sem dizer nada porque estava com muito medo de tentar desafiá-los.
Peguei a garrafa de água sanitária, a joguei no seu rosto e, o empurrando para longe de mim, comecei a correr. Quando saí do banheiro, ouvi seus gritos e xingamentos.
"Volte aqui!", ele gritou, sua voz raivosa ecoando pelas paredes do banheiro.
Corri ainda mais rápido.
Meus olhos ficaram embaçados, e toquei minhas bochechas, as sentindo molhadas. Nem sequer tinha percebido que estava chorando.
Enquanto enxugava minhas lágrimas furiosamente, pensava que nenhum deles merecia minhas lágrimas. Eles mataram a única família que me restava, roubaram meu status e me incriminaram pelos seus crimes.
Por dez anos, sofria em silêncio, esperando que um dia a Deusa da Lua viesse me resgatar e ajudar a provar minha inocência.
Rezava inúmeras vezes, implorando por uma chance sequer, mas a Deusa da Lua permaneceu em silêncio e me deixou apodrecer.
De repente, parei de correr.
Agora, estava na sede da matilha. Com meus hematomas e roupas rasgadas, eu devia parecer um espetáculo e tanto.
Enquanto caminhava, ouvi sussurros como "assassina" e "o que ela está fazendo?", mas os ignorei e fui diretamente para o centro, onde todos pudessem me ver.
Desde o momento em que entrei, um par de olhos dourados se fixou em mim intensamente - os olhos do Alfa Draven.
Eu não o conhecia, mas sabia que ele era o único Rei Alfa com olhos dourados. Ele estava vestido com um terno preto simples, mas sentado ali, sua aparência ameaçadora compensava a simplicidade da roupa.
Seu cabelo preto caía em ondas grossas sobre seus ombros largos, destacando suas maçãs do rosto salientes, um maxilar forte e lábios que pareciam raramente se suavizar em um sorriso.
Inclinei a cabeça para ele, em busca da sua permissão. Ele acenou com a cabeça uma vez, e os guardas que estavam se aproximando de mim discretamente recuaram.
Todos estavam com os olhos fixos em mim, curiosos para saber o que a escrava da matilha tinha a dizer.
Limpei a garganta e comecei a falar, minha voz saindo firme e forte.
"Dez anos atrás, minha mãe foi assassinada e fui acusada pelo assassinato."
Encarei Sophia.
"Desde então, fui forçada a arcar com as consequências de um crime que não cometi. Todos vocês me deram as costas no momento em que mais precisei, sem nem me permitirem lamentar pela morte dela. Então, hoje, me recuso a ser um membro desta matilha. De agora em diante, não devo nada a vocês."
Eles começaram a rir, e alguns membros da matilha até comentaram "Que alívio" e "Ninguém te quer aqui mesmo".
Luna Sophia assistia a tudo com um sorriso no rosto, sem se dar ao trabalho de rebater minhas palavras. Isso era o que ela queria o tempo todo. Ela não podia me matar, mas se conseguisse me forçar a sair, seu objetivo seria alcançado de qualquer forma.
Após respirar fundo, continuei com uma voz mais alta: "Hoje, com a Deusa da Lua como minha testemunha e sob os olhos de todos aqui, rejeito Alfa Carter como meu companheiro."
Imediatamente, o salão ficou em silêncio, e os membros da matilha se entreolharam com perplexidade.
Luna Sophia estava de pé, me encarando ferozmente, mas não dei atenção a ela.
No momento em que rejeitei o vínculo de companheiros, foi como se algo que estivesse fortemente preso dentro de mim tivesse se soltado, me permitindo respirar mais livremente.
Quando me virei para agradecer ao Alfa Draven, ele inesperadamente se levantou e começou a vir na minha direção. Ele era um homem muito alto, com pelo menos 1, 88 de altura, enquanto eu tinha 1, 52.
À medida que ele se aproximava, o cheiro de sândalo e pinho fresco invadia minhas narinas, me envolvendo e aliviando minhas dores. Respirei fundo, desejando sentir mais desse aroma.
Nesse momento, uma voz que há muito tempo estava em silêncio dentro de mim, a voz da minha loba Lara, ressurgiu.
Meu...
Alfa Draven estendeu a mão para tocar meu rosto, a voz suave de surpresa: "Companheira."
"Onde ela está! Alguém, tire ela daqui!", Alfa Carter gritou enquanto entrava no salão com os olhos vermelhos. Grande parte da sua camisa preta estava manchada de marrom por causa da água sanitária, e até rasgada em vários lugares.
Seus olhos percorreram o salão à minha procura. Assim que me viu, veio até mim e tentou me afastar do Rei Alfa Draven. Me encolhi em resposta, mas quando olhei para ele novamente, sua mão foi segurada pela do Rei Alfa Draven, que a apertava com força.
O rosto do Alfa Carter ficou vermelho de raiva, e jurei que ouvi alguns ossos estalarem.
Cerrando os dentes, ele disse em um tom zombeteiro: "Você é o Rei Alfa, mas não deve interferir na resolução de disputas entre um Alfa e os membros de sua matilha, não é? Isso é um assunto particular entre mim e um membro da minha matilha, Alfa."
O Rei Alfa Draven respondeu lentamente, como se estivesse escolhendo suas palavras com cuidado: "Não, não vou interferir nos assuntos da sua matilha."
Alfa Carter me lançou um olhar de vitória, prestes a me agarrar novamente, quando o Rei Alfa Draven acrescentou: "Mas vou interferir quando minha companheira estiver sendo ameaçada."
"Companheira?", Alfa Carter gaguejou, seus olhos arregalados. "Como ela pode ser sua companheira? Ela é obviamente..."
Ele se interrompeu, percebendo que estava prestes a se expor.
Seus olhos se desviaram para mim, e vi raiva neles. Com um sorriso de escárnio, ele disse: "Então foi por isso que senti aquela dor."
Ao ver que seu marido estava em desvantagem, Luna Sophia se aproximou para intervir e tentar apaziguar a situação.
Após fazer uma reverência profunda ao Rei Alfa Draven, ela falou: "Meu companheiro ofendeu o senhor, Rei Alfa. Peço que seja misericordioso. Ele não sabia que ela era sua companheira. Elena não encontrou seu companheiro há mais de uma década. Acreditamos que seja um castigo da Deusa da Lua pelo assassinato da própria mãe."
Eu sabia bem o que ela estava fazendo. Ela fingia estar apaziguando a situação, mas na verdade estava me acusando. Seu objetivo era fazer com que o Alfa Draven me rejeitasse.
Apesar disso, me mantive contida, pois queria ver como o Rei Alfa Draven reagiria.